19 outubro 2018

António Aragão censurado pelo corrupto Estado Português

No passado dia 16 de Outubro, foi inaugurada na capital do Brasil, Brasília, uma importante exposição dedicada à Poesia Experimental Portuguesa, patrocinada pelo actual Governo Federal do Brasil. Apesar de todas as dificuldades, António Aragão, que foi um dos principais fundadores deste Movimento Artístico em Portugal, ficou também representado devido à generosa cedência de diversas das suas Obras Experimentais por parte dos Profs. Rui Torres e Fernando Aguiar. Isto porque, recorde-se, a maior parte do Espólio Artístico de António Aragão, no qual se integram originais preciosíssimos de Poesia Experimental, permanece desaparecido em Portugal após o presidente da Câmara Municipal do Funchal, o comunista Paulo Cafôfo, ter anunciado publicamente no início de 2015 que a Autarquia o iria adquirir pelo preço de 166 mil euros. Em Outubro desse mesmo ano, Paulo Cafôfo e o intermediário da aquisição Ricardo Silva, espoliavam o Espólio sem nada terem pago à Família de António Aragão. O assunto foi entregue pela Família aos tribunais portugueses, permanecendo há mais de 1 ano estagnado (lembremo-nos que Paulo Cafôfo quer agora ser o presidente do Governo Regional da Madeira, contando com o apoio explícito do comunista António Costa (actual primeiro-ministro de Portugal) eleições que se disputam já no próximo ano). Ora, desde que a Família de António Aragão decidiu denunciar todos os crimes de corrupção e prevaricação de que foi vítima cometidos por esses bandidos que governam Portugal, António Aragão tem sido alvo de uma censura adicional à que todos os Artistas Experimentais Portugueses sempre foram alvo por parte do Estado Português. Não é pois de admirar que a agência estatal de propaganda, a Lusa, tenha na sequência da inauguração daquela exposição e como notícia dela, formulado uma autêntica censura e falsidade que divulgou por toda a comunicação social sob o título: «Inéditos de E.M. Melo e Castro em mostra de Poesia Experimental Portuguesa em Brasília», onde o nome de todos os restantes Artistas Experimentais, tão ou mais importantes que E.M. Melo e Castro, foi rebaixado, e onde é afirmado: «Ernesto Manuel de Melo e Castro, pioneiro da poesia experimental em Portugal», afirmação que não corresponde à verdade, dado que António Aragão teve um papel muito mais importante e relevante como pioneiro da Poesia Experimental Portuguesa do que teve E.M. Melo e Castro, artista que nem participou no primeiro número da revista que constituiu o primeiro marco Histórico desta Poesia em Portugal, Poesia que a ela deveu o seu nome: falamos da revista «Poesia Experimental», organizada por António Aragão e Herberto Helder em 1964. Tudo isto vem a se somar à condecoração exclusivamente atribuída, em Junho de 2017, a E.M. Melo e Castro pelos governantes portugueses, a qual censurou e desprezou intencionalmente todos os restantes Poetas Experimentais Portugueses tão ou mais importantes que o próprio condecorado. Mas tal não é de admirar, pois E.M. Melo e Castro é comunista, e de todos os Poetas Experimentais Portugueses é o menos anti-nacionalista. Os governantes portugueses (na pessoa do seu presidente) tiveram ainda a desfaçatez de afirmar durante tal acto humilhante (para com todos os demais) que «olhamos para o céu e o céu só pode ser luso-brasileiro», como se o Brasil ainda fosse uma colónia portuguesa. Lembremo-nos que o Brasil deve toda a sua extremamente difícil situação à desastrosa e criminosa colonização portuguesa, assim como todos os outros Países que foram colonizados e espoliados por Portugal. Pois o grande azar do Brasil foi não ter sido administrado por Países Civilizados como a Holanda ou o Reino Unido. A evolução do Brasil passa pois por se afastar de Portugal, e se aproximar em vez de todos os exemplos de Civilização, que Portugal obviamente não representa. Como dizia Jorge de Sena numa carta dirigida ao seu amigo António Aragão (http://www.aragao.org/2010/05/carta-de-jorge-de-sena-para-antonio.html), quando falamos de Portugal falamos afinal dessa «cada vez mais rasca variante lusitana», desse país «sem conteúdo» (Jorge de Sena foi outro dos grandes escritores Portugueses também desprezado e ostracizado pelo Estado Português, unicamente por criticar com toda a verdade e justeza o país onde por azar nasceu, país (Portugal) que nasceu apenas porque o filho egoísta (Afonso Henriques) resolveu dar "porrada" na mãe).


ARQUIVO DIGITAL DA PO.EX
Poesia Experimental Portuguesa

Homenagem de Fernando Aguiar a Antóno Aragão

«Falecido no dia 11 de Agosto no Funchal, António Aragão foi um dos precursores da Poesia Experimental em Portugal no início dos anos 60, e da electrografia durante os anos 80, seguido por um grupo de artistas como António Nelos, António Dantas e César Figueiredo, entre outros, que realizaram um importante trabalho nessa área, tendo sido o seu principal teorizador. Como poeta experimental António Aragão teve uma importância fundamental na criação deste movimento, juntamente com Ana Hatherly, E.M. de Melo e Castro, Salette Tavares, e José-Alberto Marques, estando na origem das revistas “Poesia Experimental 1 e 2” (1964 e 1966), “Operação” (1967), Suplemento do “Jornal do Fundão” (1965) e da “Hidra 2” (1969).

Foi igualmente um dos autores do primeiro happening realizado em Portugal, “Concerto e Audição Pictórica”, juntamente com E. M. de Melo e Castro, Jorge Peixinho, Salette Tavares, Manuel Baptista, Clotilde Rosa e Mário Falcão, em 1965. Como escritor, António Aragão publicou “Um Buraco na Boca” (1971), o primeiro romance experimental editado em Portugal, e alguns livros de poesia como “Folhema 1” e “Folhema 2”, ambos de 1966, “Os Bancos” (1975) e “Metanemas” (1981).

Em 1968 publicou “mais exacta mente p(r)o(bl)emas”, que foi o livro que fez despertar o interesse pela poesia experimental, e é um dos livros fundamentais na minha formação como poeta visual conforme referi várias vezes, incluindo num Congresso na Cidade do México em que ambos participámos. Transcrevo o final do prefácio do meu livro “Os olhos que o nosso olhar não vê” : “Para o António Aragão uma saudação muito especial porque, com o livro “MAIS EXACTA MENTE P(R)O(BL)EMAS”, comprado num alfarrabista aos 16 anos (juntamente com “POEMAS POSSÍVEIS” de um poeta então desconhecido e hoje Nobel da literatura) me levou irremediavelmente para esta forma de expressão poética.” A obra do António Aragão ainda não foi estudada convenientemente para que lhe seja dado o destaque que merece na poesia contemporânea em Portugal.

Sempre tive uma enorme admiração e amizade pelo Aragão que participou em mais de três dezenas de actividades organizadas por mim entre Exposições, Festivais, Antologias poéticas e colectâneas de poesia experimental portuguesa publicadas em várias revistas internacionais, e prefiro deixar aqui algumas imagens inéditas deste importante criador e amigo.»,

Fernando Aguiar.

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