12 agosto 2016

O DESCALABRO DE PORTUGAL



O descalabro de Portugal

Embora actualmente residindo fora da Madeira, a minha conexão à minha terra natal nunca se perdeu. É com profunda tristeza que assisti aos devastadores incêndios que assolaram a Madeira e especialmente a sua capital o Funchal. É com profunda tristeza que tive conhecimento de mortos, feridos graves e tantas pessoas que ficaram sem nada. É igualmente com profunda tristeza que vi em imagens tantos Madeirenses combatendo os incêndios apenas com a mangueira dos seus quintais, porque os bombeiros não tinham meios suficientes, nem humanos nem principalmente técnicos, para fazer face a fogos de maiores proporções. Ouvi mesmo um bombeiro Madeirense desabafando que eram principalmente os meios técnicos que faltavam, pois de que é que servia mais pessoal se não existem viaturas bastantes para os meios humanos poderem utilizar... Na hora da crise os mesmos políticos - mesmo que com diferentes nomes - vêm sempre dizer que os bombeiros são heróis, mas não passa disso mesmo... palavras ocas sem efeitos práticos. Aquele género de políticos que esgrimam as palavras para iludirem o povo, quando são eles mesmos que, persistentemente, desvalorizam o papel fundamental que os bombeiros desempenham na sociedade. Não lhes dão um salário condigno, não lhes dão meios técnicos suficientes, não lhes dão a formação contínua que necessitam. Na mesma altura que a Madeira ardia, ali mesmo ao lado, numa das ilhas do Arquipélago das Canárias, deflagrava também um enorme incêndio florestal. Só que este fogo nunca chegou a nenhuma grande localidade. Só que este fogo foi rapidamente controlado. Porque este fogo foi eficazmente combatido. Porque, ao contrário da Madeira, parte de Portugal, o incêndio em La Palma, parte de Espanha, enfrentou um combate altamente profissional por parte de corporações de bombeiros fortemente equipadas com todas as mais modernas tecnologias. Na Madeira, onde as viaturas terrestres, já por si poucas, não chegavam, nas Canárias numerosos hidroaviões e helicópteros dos bombeiros Espanhóis combatiam, com toda a eficiência, o enorme incêndio que deflagrava. Qual então pois a grande diferença? A Madeira faz parte de Portugal e as Canárias são parte de Espanha. Toda a diferença está neste ponto. O meu falecido Pai, António Aragão, que tanto lutou pela preservação do Património Cultural da Madeira, por numerosas vezes me confessou que se a restauração da independência nunca se tivesse dado a Madeira teria uma qualidade de vida, em tudo, muito superior. De facto, como claramente se vê, um país, como Portugal, que não investe naquilo que realmente interessa (Protecção Civil, Justiça, Cultura, Ciência, Ambiente, Educação, Emprego, Arte, etc.), é um país condenado ao fracasso. Independência é para fazer melhor. Não para fazer pior.

Marcos Aragão Correia.

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